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5 apoftegmas

Abade Longino

1

Em dada ocasião o Abade Longino interrogou o Abade Lúcia a respeito de três pensamentos, dizendo: “Quero partir como peregrino”. Respondeu-lhe o ancião: “Se não dominares a tua língua, não serás peregrino, aonde quer que vás. Por conseguinte, domina a tua língua, já aqui, e serás peregrino”. Disse-lhe de novo: “Quero jejuar”. Respondeu o ancião: “Isaías profeta disse: ‘Ainda que curves o teu pescoço como uma coleira ou um arco, nem assim isto se chamará jejum’ (1); antes, domina os maus pensamentos”. Da terceira vez disse o Abade Longino “Quero fugir dos homens”. Respondeu o ancião: “Se primeiro não viveres retamente em companhia dos homens, também a sós não poderás viver retamente”.

2

Disse o Abade Longino: “Quando uma vez caires, dize (1): ‘Piora e morre’. Se, ao contrário, me pedires comida fora de hora, não te levarei nem a tua porção diária”.

3

Certa mulher que tinha no seio uma moléstia chamada câncer, ouviu falar do Abade Longino, e procurava encontrar-se com ele. Este residia junto ao nono marco de Alexandria. Estando a mulher a procurá-lo, aconteceu que aquele bem-aventurado recolhia lenha junto ao mar. Ela, encontrando-o, disse: “Abade, onde mora o Abade Longino, o servo de Deus?” Não sabia que era ele mesmo. Ele respondeu: “Por que procuras tal impostor? Não vás ter com ele, pois é fraudulento. Que é que tens?” A mulher mostrou-lhe o mal. Ele então fez o sinal da cruz sobre o lugar doente e despediu-a, dizendo: Vai, e Deus há de te curar; pois Longino em nada te pode ser útil”. A mulher partiu, crendo na palavra, e logo se viu curada. Depois disto, contou o caso a alguns, referindo os sinais característicos do ancião; ficou então sabendo que o mesmo era o Abade Longino.

4

De outra feita, alguns levaram-lhe um possesso do demônio. Disse-lhes o Abade: “Eu nada posso fazer por vós, mas ide ter com o Abade Zeno”. O Abade Zeno, então, pôs-se a conjurar o demônio, procurando expulsá-lo. Este começou a clamar: “Acaso pensas, Abade Zeno, que será por causa de ti que sairei? Eis que o Abade Longino lá ora e intercede contra mim. É temendo as orações dele que sairei, pois a ti nem daria resposta”.

5

Disse o Abade Longino ao Abade Acácio: “A mulher reconhece que concebeu quando o seu sangue é detido. Assim também a alma reconhece que concebeu o Espírito Santo, quando são detidas as paixões que dela fluem para a terra. Enquanto a alma está ligada pelas paixões, como se pode ela vangloriar de ser impossível? Dá sangue, e recebe espírito”.