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Abade Marcos, O Egípcio

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Do Abade Marcos, o Egípcio, contavam que passou trinta anos sem sair da sua cela. O presbítero costumava visitá-lo e consagrar para ele a santa oblação. Ora o demônio, tendo observado a paciência egrégia desse homem, maquinou maliciosamente tentá-lo a condenar o próximo. Induziu, pois, um homem possesso do espírito mau a que fosse visitar o ancião sob pretexto de rezarem. O possesso, antes do mais, assim interpelou o ancião: “Teu presbítero tem odor de pecado; não permitas mais que venha ver”. O homem, inspirado por Deus, disse-lhe: “Filho, todos lançam fora a impureza; tu, porém, a trazes a mim. Está escrito: ‘Não julgueis, para não serdes julgados’ (1). Mesmo que seja pecador, o Senhor o salvará; pois está escrito: ‘Orai uns pelos outros para que sejais salvos’ (2). Depois destas palavras, o Abade fez oração e afugentou o demônio do homem, despedindo-o são. Quando, pois, o presbítero voltou como de costume, o ancião recebeu-o com alegria. Ora o Bom Deus, vendo a inocência do ancião, quis mostrar a este um sinal, que o Abade referiu nestes termos: “Quando o presbítero estava para se colocar diante da mesa sagrada, vi um anjo do Senhor que descia do céu e pôs a mão sobre a cabeça do clérigo, tornando a este como uma coluna de fogo. Eu admirava esta visão, quando uma voz me disse: ‘Ó homem, por que te admiras com isso? Pois, se um rei da terra não tolera que seus magnatas compareçam sujas em sua presença, mas os quer ornados de muita glória, quando mais o poder divino não purificará os ministros dos sagrados mistérios, os quais comparecem diante da glória celeste?’ Assim Marcos, o Egípcio, generoso atleta de Cristo, tendo=se tornado grande, foi dotado desta graça, por não ter condenado o clérigo.