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2 apoftegmas

Abade Olímpio

1

O Abade Olímpio contou o seguinte: “Certa vez um sacerdote pagão veio à Cétia, entrou em minha cela, onde passou a noite. Ora, tendo observado a vida dos monges, perguntou-me: ‘Vivendo assim, não recebei nenhuma visão da parte do vosso Deus?’ Respondi-lhe: ‘Nenhuma’. O sacerdote continuou: ‘Em verdade, a nós que servimos o nosso Deus, este nada nos oculta, mas revela-nos os seus mistérios. E vós, que vos entregais a obras são penosas, vigílias, retiro, ascese, dizeis: ‘Não temos visão nenhuma?’ Sem dúvida, pois, se não tendes visão, é que nutris em vossos coração maus pensamentos que vos afastam de vosso Deus, e, por isto, ele não vos revela os seus mistérios’. Fui, então, referir aos anciãos as palavras do sacerdote. Estes admiraram-se e responderam que, de fato, é assim. Os pensamentos impuros separam Deus do homem.

2

O Abade Olímpio, das Célias, foi tentado à fornicação. Dizia-lhe o seu pensamento: “Vai toma uma mulher”. Então, levantou-se, fez um pouco de lodo, com o qual plasmou uma mulher, e disse consigo mesmo: “Eis a tua esposa; portanto, é preciso que trabalhes muito para que a sustentes. E pôs-se a trabalhar muito com grande fadiga. Passado certo tempo, de novo fez lodo, plasmou para si uma filha e disse ao seu pensamento: “Tua mulher deu à luz; precisas trabalhar mais, para que possas sustentar tua filha e protegê-la”. E, trabalhando assim, consumia-se; por fim, disse ao seu pensamento: “Não tenho mais forças para suportar a labuta. E acrescentou: “Se não tens forças para suportar a labuta, também não procures mulher”. Assim, tendo Deus visto o seu esforço, retirou-lhe a tentação e ele encontrou sossego.