Capítulo 1
A Transformação Missionária da Igreja
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A Igreja «em saída» é a comunidade de discípulos missionários que «primeireia», que toma a iniciativa, que se envolve, que acompanha, que frutifica e festeja. A comunidade evangelizadora experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e por isso ela sabe dar o primeiro passo, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inesgotável de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a infinita misericórdia do Pai e a sua força difusiva. A Igreja não pode ser uma alfândega pastoral que cobra impostos na porta de entrada.
Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual do que à autopreservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só pode entender-se neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais expansiva e aberta, que coloque os agentes pastorais em constante atitude de «saída» e assim favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a Sua amizade.
A paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diversas que requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade. Embora não seja certamente a única instituição evangelizadora, se for capaz de se reformar e adaptar continuamente, continuará a ser «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e filhas». Isto supõe que esteja realmente em contacto com as famílias e a vida do povo, e não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que se olham a si mesmos.
Cada Igreja particular, porção da Igreja Católica sob a guia do seu Bispo, está chamada à conversão missionária. Ela é o sujeito primário da evangelização, já que é a manifestação concreta da única Igreja num lugar determinado. É necessário chegar lá onde se formam os novos relatos e paradigmas, alcançar com a Palavra de Jesus os núcleos mais profundos da alma das cidades. O Bispo deve estar sempre à frente, favorecendo a comunhão missionária na sua Igreja diocesana, seguindo o ideal das primeiras comunidades cristãs, onde os crentes tinham um só coração e uma só alma (cf. At 4, 32).
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