Capítulo 1
Os Conselhos Evangélicos
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A castidade «pelo Reino dos Céus» (Mt 19, 12), que os religiosos professam, deve ser tida como dom insigne da graça. Com efeito, ela liberta de modo singular o coração do homem (cfr. 1 Cor 7, 32-35) para se inflamar cada vez mais no amor de Deus e de todos os homens, e por isso é sinal especial dos bens celestes e meio aptíssimo para os religiosos se consagrarem generosamente ao serviço divino e às obras de apostolado. Deste modo, recordam a todos os fiéis aquela admirável união estabelecida por Deus e que se há-de manifestar plenamente no mundo futuro, pela qual a Igreja tem a Cristo como único Esposo. Os religiosos cuidem, porém, de não se atribuírem a si mesmos a capacidade de guardar a castidade, mas confiem-na à misericórdia de Deus e não presumam das próprias forças.
A pobreza voluntária para seguir a Cristo, da qual Ele é o modelo mais perfeito, não se exprime apenas na sujeição dos bens ao uso comum, mas deve ser praticada com diligência e manifestar-se também em novas formas. Pela profissão de pobreza, os religiosos fazem-se participantes da pobreza de Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por nós, para que pela Sua pobreza nos tornássemos ricos (cfr. 2 Cor 8, 9). No que se refere à pobreza religiosa, não basta depender dos superiores no uso dos bens, mas é preciso que os religiosos sejam pobres de facto e de espírito, possuindo os seus tesouros no céu (cfr. Mt 6, 20). Os institutos devem evitar toda a aparência de luxo, de ganância desordenada e de acumulação de bens, e procurem, segundo as circunstâncias dos lugares, dar testemunho colectivo de pobreza.
Pela profissão de obediência, os religiosos consagram a Deus a própria vontade como sacrifício de si mesmos e por este meio se unem de modo mais firme e seguro à vontade salvífica de Deus. Seguindo o exemplo de Jesus Cristo, que veio para fazer a vontade do Pai (cfr. Jo 4, 34; 5, 30; Hb 10, 7) e, «tomando a forma de servo» (Fl 2, 7), aprendeu a obedecer pelo que padeceu (cfr. Hb 5, 8), os religiosos, sob a moção do Espírito Santo, submetem-se com fé aos superiores, que fazem as vezes de Deus. Por eles são guiados no serviço de todos os irmãos em Cristo, como o próprio Cristo serviu os Seus irmãos pela submissão ao Pai. Os superiores, porém, enquanto responsáveis pelas almas que lhes foram confiadas (cfr. Hb 13, 17), exerçam a sua autoridade num espírito de serviço, respeitando a pessoa humana e promovendo a obediência voluntária.
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