Capítulo 2
Prática do Ecumenismo
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Devem ser procurados o conhecimento mútuo e a estima dos irmãos separados, o que se consegue mais facilmente pelo estudo e pelos encontros de cristãos de diversas Igrejas ou comunidades, organizados com espírito religioso. São muito úteis para este fim, sobretudo, as conversações sobre questões teológicas, em que cada um trate com os outros de igual para igual, contanto que aqueles que nelas tomam parte, sob a vigilância dos prelados, sejam verdadeiramente peritos. Deste diálogo resulta também mais claramente a verdadeira posição da Igreja católica. Deste modo se conhece também melhor a mentalidade dos irmãos separados e a nossa fé é-lhes apresentada de modo mais adequado. Além disso, os teólogos católicos, aderindo fielmente à doutrina da Igreja, em matérias ecuménicas, devem prosseguir a investigação em conjunto com os irmãos separados, com amor à verdade, com caridade e com humildade.
A formação ecuménica dos fiéis tem singular importância. Os fiéis da Igreja católica devem ser instruídos a conhecer mais profundamente a sua própria Igreja, a sua história, a sua vida espiritual, a sua doutrina, a fim de que possam apresentá-la de modo justo e digno. Ao mesmo tempo, devem ser instruídos sobre as outras comunhões cristãs, sobre a sua história, a sua vida espiritual, a sua doutrina, sobre os seus pontos de convergência e de divergência com a doutrina católica. Esta formação, muito necessária em nossos dias, deve ser ministrada aos fiéis de todos os graus e condições, começando pelos sacerdotes e por aqueles que se preparam para o sagrado ministério. É necessário que a teologia e as outras disciplinas eclesiásticas sejam ensinadas também sob o aspecto ecuménico, para que respondam mais exactamente à verdade das coisas.
O modo e o sistema de enunciar a fé católica não devem de maneira nenhuma tornar-se obstáculo ao diálogo com os irmãos. É absolutamente necessário que se exponha a doutrina com clareza, integralmente. Nada é tão alheio ao espírito ecuménico como aquele falso irenismo que prejudica a pureza da doutrina católica e obscurece o seu sentido genuíno e certo. Ao mesmo tempo, a fé católica deve ser exposta de modo mais profundo e mais correcto, com uma linguagem e de uma maneira que possa realmente ser compreendida também pelos irmãos separados. No diálogo ecuménico, os teólogos católicos, fiéis à doutrina da Igreja, ao investigar com os irmãos separados os divinos mistérios, devem proceder com amor à verdade, com caridade e com humildade. Ao confrontar as doutrinas, lembrem-se de que existe uma ordem ou «hierarquia» nas verdades da doutrina católica, por serem diversas as suas relações com o fundamento da fé cristã.
Perante o mundo inteiro, todos os cristãos devem professar a fé em Deus uno e trino, no Filho de Deus encarnado, nosso Redentor e Senhor, e, com os esforços comuns, num respeito mútuo, dar testemunho da nossa esperança, que não nos confunde. Uma vez que a cooperação no campo social está hoje vastissimamente organizada, todos os homens sem excepção são chamados a trabalhar conjuntamente, e muito mais os que crêem em Deus, e mais ainda os cristãos, assinalados com o nome de Cristo. A cooperação de todos os cristãos exprime de modo vivo a união que entre eles já existe e põe em mais plena luz a face de Cristo Servidor. Esta cooperação, já instituída em não poucas nações, deve aperfeiçoar-se cada vez mais, especialmente em regiões economicamente desenvolvidas, quer na justa apreciação da dignidade da pessoa humana, quer na promoção do bem da paz, quer na aplicação social do Evangelho, quer no progresso das ciências e das artes em espírito cristão, quer no uso de todo o género de remédios contra as calamidades do nosso tempo, como são a fome, as epidemias, o analfabetismo e a miséria.
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