Sequentia — Lauda Sion Salvatórem
ad libitummodo VIIHino ao Santíssimo Sacramento
Sequência ad libitum (GR 1974, p. 379). Composta por São Tomás de Aquino. Cantada entre o Aleluia e o Evangelho quando se usa. Contém 24 estrofes.
Louva, ó Sião, o Salvador,
louva o guia e o pastor,
com hinos e cânticos.
Quanto podes, tanto ousa:
porque ele é maior que todo louvor
e nunca o louvarás o bastante.
Tema especial de louvor,
pão vivo e vital,
hoje é proposto.
O que na mesa da santa Ceia
à multidão dos doze irmãos
foi dado, não se duvida.
Seja o louvor pleno, sonoro,
seja alegre, seja decente
a jubilação do espírito.
Pois se celebra o dia solene
em que pela primeira vez foi recordada
a instituição desta mesa.
Nesta mesa do novo Rei,
a nova Páscoa da nova lei
encerra a antiga Páscoa.
A novidade expulsa o antigo,
a verdade afasta a sombra,
a luz dissipa a noite.
O que Cristo fez na Ceia
expressou que devia ser feito
em memória dele.
Instruídos pelas santas tradições,
consa gramos o pão e o vinho
em hóstia de salvação.
Este dogma é dado aos cristãos:
que o pão se converte em carne,
e o vinho em sangue.
O que não compreendes, o que não vês,
a fé animosa o confirma
fora da ordem das coisas.
Sob as diversas espécies,
meros sinais e não as coisas,
estão escondidas realidades sublimes.
A carne é alimento, o sangue é bebida:
mas Cristo permanece todo inteiro
sob cada uma das espécies.
Quem o recebe não o divide,
não o quebra, não o separa:
será recebido inteiro.
Um o recebe, mil o recebem:
este tanto quanto aqueles:
não se consome ao ser recebido.
Recebem-no os bons, recebem-no os maus:
mas com sorte desigual,
de vida ou de morte.
É morte para os maus, vida para os bons:
vede como da mesma recepção
quão díspares são os frutos.
Partido enfim o sacramento,
não vaciles, mas lembra-te
que só um fragmento contém
tanto quanto o todo encobre.
Nenhuma divisão da coisa ocorre:
só o sinal se parte,
e por isso nem o estado nem a grandeza
daquele que é significado se diminui.
Eis o Pão dos Anjos,
feito alimento dos viajantes:
verdadeiro pão dos filhos,
não para ser lançado aos cães.
Nas figuras foi prefigurado:
quando Isaac foi imolado,
quando foi designado o cordeiro pascal,
quando o maná foi dado aos pais.
Bom pastor, verdadeiro pão,
Jesus, tende misericórdia de nós:
tu nos apascenta, nos guarda,
faze-nos ver os bens
na terra dos viventes.
Tu que tudo sabes e podes,
que aqui nos apascentas mortais:
faze-nos lá teus comensais,
coherdeiros e companheiros
dos santos cidadãos do céu.
Amen.
Graduale Romanum 1974, pp. 379–383 (GR 1961, p. 315; GregoBase id 308; 24 estrofes completas)