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Hinos Eucarísticos

São Tomás de Aquino

O ofício de Corpus Christi, composto por São Tomás de Aquino a pedido de Urbano IV (1264), deu à Igreja os seus cantos eucarísticos mais amados: o Pange lingua e o Tantum ergo, o Sacris solémniis e o Panis angélicus, o Verbum supérnum e o O salutáris — e a oração pessoal do Adoro te devóte, com a sequência Lauda Sion.

Hino — Pange lingua, gloriósi Córporis mystérium

modo III

São Tomás de Aquino (†1274); 1Cor 11, 23-25; Jo 6

Hino de Vésperas de Corpus Christi; acompanha a trasladação do Santíssimo na Quinta-feira Santa.

Proclama, ó língua, o mistério do glorioso Corpo e do precioso Sangue que o Rei das nações derramou como preço do mundo, fruto de um ventre generoso. 2. Dado a nós, nascido para nós da imaculada Virgem, e tendo habitado no mundo, após semear a semente do Verbo, concluiu com admirável ordem os dias do seu peregrinar. 3. Na noite da última Ceia, reclinado com seus irmãos, cumprida plenamente a lei nos alimentos legais, deu-se com as suas próprias mãos como alimento à multidão dos doze. 4. O Verbo se fez carne e pelo Verbo transforma o pão em verdadeira carne: e o vinho puro torna-se sangue de Cristo; e se os sentidos falham, só a fé é suficiente para firmar o coração sincero. 5. Tão grande sacramento veneremos prostrando-nos: e o antigo testemunho ceda ao novo rito: que a fé supla a deficiência dos sentidos. 6. Ao Pai e ao Filho gerado loor e júbilo, saúde, honra, força também e bênção; em igual medida, louvor ao que de ambos procede. Ámen.

Graduale Romanum 1974, pp. 170–172 (modo 3; = GR 1961, p. 152* / LU 1961, p. 957; GregoBase ID 1310). Estrofes 1–4 musicadas; 5–6 em texto simples na mesma melodia.

Bênção — Tantum ergo Sacraméntum / Genitóri Genitóque

modo III

São Tomás de Aquino (†1274); estrofes 5–6 do Pange lingua

Estrofes finais do Pange lingua; cantam-se na bênção do Santíssimo Sacramento.

Tão grande sacramento veneremos prostrados: e o antigo testemunho ceda ao novo rito: que a fé supla a deficiência dos sentidos. Ao Pai e ao Filho gerado loor e júbilo, saúde, honra, força também e bênção; em igual medida, louvor ao que de ambos procede. Ámen.

Texto = estrofes 5–6 do Pange lingua já existente no app, alinhado palavra por palavra (jubilátio com j). Graduale Romanum 1974, p. 170–172; LU 1961, p. 957–958 (modo 3; GregoBase ID 1310). Estatuto de único hino prescrito para a Bênção confirmado nas fontes. NOTA de dedup: é sub-trecho do Pange lingua (ordem 1); mantida como peça distinta por clareza pastoral do momento ritual da Bênção — pode ser suprimida se a política do app for não duplicar sub-trechos. Melodia: Liber Usualis 1961 (modo 3; GregoBase id 2176).

Hino — Sacris solémniis juncta sint gáudia

modo IV

São Tomás de Aquino (†1274); hino das Matinas / Ofício das Leituras de Corpus Christi

Hino do Ofício das Leituras de Corpus Christi.

Aos sagrados ritos solenes una-se a alegria, e do íntimo do coração ressoem os louvores; retirem-se as coisas velhas, tudo seja novo: os corações, as vozes e as obras. 2. Recorda-se a última Ceia daquela noite, em que se crê ter Cristo dado aos irmãos o cordeiro e os ázimos, segundo as prescrições outrora concedidas aos antigos pais. 3. Depois do cordeiro figurativo, terminada a ceia, o Corpo do Senhor foi dado aos discípulos, todo a todos e todo a cada um, pelas suas próprias mãos, confessamo-lo. 4. Deu aos fracos o alimento do seu Corpo, deu aos tristes a bebida do seu Sangue, dizendo: Tomai o cálice que vos entrego; bebei dele todos. 5. Assim instituiu este sacrifício, cujo ofício quis que fosse confiado somente aos sacerdotes, aos quais compete recebê-lo e dá-lo aos demais. 6. O Pão dos Anjos faz-se pão dos homens; o pão do céu põe fim às figuras; ó realidade admirável: come o Senhor o pobre, o servo e o humilde. 7. A vós, Trindade e Unidade divina, suplicamos: visitai-nos assim como vos adoramos; por vossos caminhos conduzi-nos aonde tendemos, à luz em que habitais. Ámen.

Texto integral das 7 estrofes conferido palavra por palavra em três das fontes verificadas (Hymnary.org, Wikipedia «Sacris solemniis», Parish Book of Chant / CMAA), incluindo as leituras canônicas «sonent præcónia», «córporis férculum / sánguinis póculum» e «panis cǽlicus». Hino do Ofício de Corpus Christi cantado na procissão ad libitum. Modo 4 (melodia gregoriana clássica do Ofício; o Liber Usualis traz mais de uma melodia — conferir a melodia no LU/Liber Hymnarius antes de gravar o GABC). Confiança alta no TEXTO; modo tradicional defensável. Melodia: Liber Usualis 1961, p. 920 (modo 4; GregoBase id 2274).

Hino — Panis angélicus

modo IV

São Tomás de Aquino (†1274)

Penúltima estrofe do Sacris solémniis; canta-se na exposição e na comunhão.

O pão dos Anjos torna-se pão dos homens; o pão do céu põe fim às figuras antigas. Ó maravilha! come o Senhor o pobre, o servo, o humilde. 2. A vós, Deus trino e uno, pedimos: visitai-nos, como nós vos adoramos; pelas vossas veredas conduzi-nos aonde caminhamos, à luz em que habitais. Amen.

Liber Usualis 1961, p. 922; Cantus selecti 1957, p. 8* (GregoBase id 3334)

Hino — Verbum supérnum pródiens

modo VIII

São Tomás de Aquino (†1274)

Hino de Laudes de Corpus Christi; as duas últimas estrofes formam o O salutáris Hóstia.

O Verbo do alto, saindo sem deixar a direita do Pai, indo para a sua obra, chegou ao entardecer da vida. 2. Antes que um discípulo o entregasse aos seus inimigos, para a morte, entregou-se ele primeiro aos discípulos no banquete da vida. 3. Deu-lhes, sob dupla espécie, a carne e o sangue, para alimentar o homem inteiro, feito de dupla substância. 4. Nascendo, deu-se por companheiro; à mesa, deu-se em alimento; morrendo, deu-se em resgate; reinando, dá-se em prêmio. 5. Ó Hóstia da salvação, que abris a porta do céu: guerras hostis nos oprimem, dai força, trazei auxílio. 6. Ao Senhor uno e trino seja glória sempiterna: que Ele nos dê na pátria a vida sem termo. Amen.

Graduale Romanum 1961, p. 154*; Liber Usualis 1961, p. 940 (GregoBase id 53)

Hino — O salutáris Hóstia

modo VIII

São Tomás de Aquino (†1274); estrofes 5–6 do Verbum supérnum

Na exposição do Santíssimo Sacramento.

Ó Hóstia da salvação, que abris a porta do céu: guerras hostis nos oprimem, dai força, trazei auxílio. 2. Ao Senhor uno e trino seja glória sempiterna: que Ele nos dê na pátria a vida sem termo. Amen.

Cantus selecti 1957, p. 1* (GregoBase id 3335)

Hino — Adóro te devóte

modo V

São Tomás de Aquino (†1274)

Oração de São Tomás diante do Santíssimo; ação de graças após a comunhão.

Adoro-vos devotamente, Divindade escondida, que sob estas figuras verdadeiramente vos ocultais: a vós o meu coração inteiro se submete, porque, ao contemplar-vos, todo desfalece. 2. A vista, o tato, o gosto em vós se enganam, mas só pelo ouvido se crê com segurança: creio em tudo o que disse o Filho de Deus; nada mais verdadeiro que esta palavra da Verdade. 3. Na cruz escondia-se só a divindade; aqui se esconde também a humanidade: mas, crendo e confessando ambas, peço o que pediu o ladrão penitente. 4. As chagas, como Tomé, não as vejo: contudo vos confesso meu Deus. Fazei que eu creia sempre mais em vós, em vós espere, e vos ame. 5. Ó memorial da morte do Senhor, pão vivo que dais vida ao homem: concedei à minha alma viver de vós e saborear-vos sempre com doçura. 6. Ó pelicano de piedade, Jesus Senhor, purificai-me, que sou imundo, no vosso sangue, do qual uma só gota pode salvar o mundo inteiro de todo crime. 7. Jesus, que agora contemplo velado, rogo-vos: cumpra-se o que tanto anseio; que, vendo-vos de face descoberta, seja eu bem-aventurado na visão da vossa glória. Amen.

Liber Usualis 1961, p. 1855 (GregoBase id 3020)

Sequentia — Lauda Sion Salvatórem

ad libitummodo VII

Hino ao Santíssimo Sacramento

Sequência de Corpus Christi.

Louva, ó Sião, o Salvador, louva o guia e o pastor, com hinos e cânticos. Quanto podes, tanto ousa: porque ele é maior que todo louvor e nunca o louvarás o bastante. Tema especial de louvor, pão vivo e vital, hoje é proposto. O que na mesa da santa Ceia à multidão dos doze irmãos foi dado, não se duvida. Seja o louvor pleno, sonoro, seja alegre, seja decente a jubilação do espírito. Pois se celebra o dia solene em que pela primeira vez foi recordada a instituição desta mesa. Nesta mesa do novo Rei, a nova Páscoa da nova lei encerra a antiga Páscoa. A novidade expulsa o antigo, a verdade afasta a sombra, a luz dissipa a noite. O que Cristo fez na Ceia expressou que devia ser feito em memória dele. Instruídos pelas santas tradições, consa gramos o pão e o vinho em hóstia de salvação. Este dogma é dado aos cristãos: que o pão se converte em carne, e o vinho em sangue. O que não compreendes, o que não vês, a fé animosa o confirma fora da ordem das coisas. Sob as diversas espécies, meros sinais e não as coisas, estão escondidas realidades sublimes. A carne é alimento, o sangue é bebida: mas Cristo permanece todo inteiro sob cada uma das espécies. Quem o recebe não o divide, não o quebra, não o separa: será recebido inteiro. Um o recebe, mil o recebem: este tanto quanto aqueles: não se consome ao ser recebido. Recebem-no os bons, recebem-no os maus: mas com sorte desigual, de vida ou de morte. É morte para os maus, vida para os bons: vede como da mesma recepção quão díspares são os frutos. Partido enfim o sacramento, não vaciles, mas lembra-te que só um fragmento contém tanto quanto o todo encobre. Nenhuma divisão da coisa ocorre: só o sinal se parte, e por isso nem o estado nem a grandeza daquele que é significado se diminui. Eis o Pão dos Anjos, feito alimento dos viajantes: verdadeiro pão dos filhos, não para ser lançado aos cães. Nas figuras foi prefigurado: quando Isaac foi imolado, quando foi designado o cordeiro pascal, quando o maná foi dado aos pais. Bom pastor, verdadeiro pão, Jesus, tende misericórdia de nós: tu nos apascenta, nos guarda, faze-nos ver os bens na terra dos viventes. Tu que tudo sabes e podes, que aqui nos apascentas mortais: faze-nos lá teus comensais, coherdeiros e companheiros dos santos cidadãos do céu. Amen.

Graduale Romanum 1974, pp. 379–383 (GR 1961, p. 315; GregoBase id 308; 24 estrofes completas)

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