Com devoção Vos adoro, Divindade escondida, que sob estas aparências Vos ocultais verdadeiramente. A Vós se submete o meu coração por inteiro, pois ao Vos contemplar, todo ele desfalece. A vista, o tato, o gosto não Vos alcançam; somente pelo ouvido se crê com segurança. Creio em tudo o que disse o Filho de Deus; nada é mais verdadeiro do que esta Palavra de Verdade. Na Cruz, estava oculta apenas a divindade; aqui, porém, está oculta também a humanidade. Contudo, crendo e confessando ambas, peço o que pediu o ladrão arrependido. Não vejo as chagas como as viu Tomé, mas confesso que sois o meu Deus. Fazei-me crer sempre mais em Vós, em Vós esperar, a Vós amar. Ó memorial da morte do Senhor! Pão vivo que dais vida ao homem: fazei que a minha alma viva de Vós e que sempre lhe seja doce este sabor. Senhor Jesus, Pelicano amoroso, purificai-me, a mim, imundo, com o Vosso Sangue, do qual uma só gota basta para apagar todos os pecados do mundo. Jesus, que agora contemplo sob véus, eu Vos suplico: que se realize o que tanto anseio; que, vendo-Vos um dia face a face, eu seja feliz contemplando a Vossa glória. Amém.
Contexto
Hino eucarístico composto por Santo Tomás de Aquino no século XIII, quando o Papa Urbano IV lhe pediu que escrevesse os textos litúrgicos para a festa de Corpus Christi. É uma das mais profundas expressões de fé na presença real de Cristo na Eucaristia.