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5 apoftegmas

Abade Amoés

1

Contavam do Abade Amoés que, quando ia para a igreja, não permitia que seu discípulo caminhasse muito perto dele, e, sim, à distância. Caso aquele se aproximasse para o interrogar a respeito de pensamentos, após breve resposta, logo o despedia, dizendo: “Não aconteça que, falando nós de coisas devidas, se introduza sorrateiramente alguma confabulação estranha; é por isto que não te deixo ficar perto de mim”.

2

Dizia outrora o Abade Amoés ao Abade Isaías: “Como me vês neste momento?” Respondeu este: “Como um anjo, ó Pai”. Posteriormente perguntava-lhe ainda: “E agora como me vês?” Respondia aquele: “Como Satanás; ainda que me digas uma palavra boa, será para mim como uma espada”.

3

Referiam do Abade Amoés que adoeceu e ficou de cama durante muitos anos. Ora nunca permitiu que seu espírito divagasse dentro da sua cela observando o que havia; teria motivo para isso, pois lhe levavam muitas coisas por causa da doença. Quando entrava ou saía seu discípulo João, fechava os olhos para não ver o que fazia. Em verdade sabia que era um monge fiel.

4

O Abade Poimém contou que um irmão foi ter com o Abade Amoés, pedindo-lhe uma palavra. Tendo, porém, ficado sete dias com o ancião, este não lhe respondeu; todavia, ao despedi-lo, disse-lhe: “Vai-te e sê vigilante sobre ti mesmo; na verdade, os meus pecados se tornaram um muro tenebroso entre mim e Deus”.

5

Diziam do Abade Amoés que fizera cinquenta pães de trigo para o seu consumo e colocou-os ao sol; todavia, antes que estivessem bem secos, viu no lugar algo que não o edificava, e disse aos seus discípulos: “Vamo-nos daqui”. Estes ficaram profundamente tristes. Vendo-os então abatidos, disse-lhes: “Estais tristes por causa dos pães? Em verdade eu vi alguns que fugiam e abandonavam as janelas forradas com folhas de pergaminho (1); nem fecharam as portas, mas foram-se, deixando-as abertas”.