Antigo Testamento
Livro Segundo dos Reis
Ver todosAcab tinha setenta filhos em Samaria. Jeú escreveu uma carta e mandou-a a Samaria aos principais da cidade, aos anciães e aos aios dos filhos de Acab. Nela dizia:
Logo que receberdes esta carta, vós que tendes em vosso poder os filhos do vosso senhor, os carros, os cavalos, as cidades fortes e as armas,
escolhei o melhor, aquele que mais vos agradar dentre os filhos do vosso senhor, colocai-o sobre o trono de seu pai e pelejai pela casa de vosso Senhor.
Eles atemorizaram-se muito e disseram: Dois reis não puderam fazer-lhe frente, como poderemos nós resistir-lhe?
Pelo que os mordomos do palácio do rei, os oficiais da cidade, os anciães e os aios, mandaram dizer a Jeú: Nós somos teus servos, faremos tudo o que nos ordenares; não elegeremos rei sobre nós; faze tudo o que te agradar.
Então Jeú tornou-lhes a escrever segunda carta, dizendo: Se vós sois por mim e me obedeceis, cortai as cabeças aos filhos do vosso senhor, e vinde ter comigo amanhã, a esta mesma hora, a Jezrael. Os filhos do rei, em número de setenta, criavam-se em casa dos grandes da cidade.
Logo que eles receberam a carta, pegaram nos setenta filhos do rei, mataram-nos, meteram as suas cabeças em cestas e mandaram-nas a Jeú, a Jezrael.
Foi, pois, o mensageiro, e avisou-o: Trouxeram as cabeças dos filhos do rei. Ele respondeu: Ponde-as em dois montes à entrada da porta até pela manhã.
Quando amanheceu, saiu, e, posto em pé, disse a todo o povo: Vós_(que)_sois justos (dizei-me): Se eu conspirei contra o meu senhor e se o matei, quem é que matou todos estes?
Considerai, pois, agora que não caiu por terra palavra alguma do Senhor, que o Senhor proferiu contra a casa de Acab e como o Senhor cumpriu o que predisse pela boca do seu servo Elias.
Mandou Jeú matar todos os que restavam da casa de Acab em Jezrael, todos os grandes da sua corte, os seus familiares e os sacerdotes, até não ficar resto algum.
E levantou-se e foi para Samaria. Tendo chegado a uma cabana de pastores, que está junto do caminho,
encontrou os irmãos de Ocozias, rei de Judá, e disse-lhes: Quem sois vós? Eles responderam: Somos os irmãos de Ocozias e viemos saudar os filhos do rei e os filhos da rainha.
Jeú disse: Tomai-os vivos. Tendo-os tomado vivos, degolaram-nos numa cisterna perto da cabana, em número de quarenta e dois homens, e não deixou nenhum deles.
Partindo dali, encontrou Jonadab, fllho de Recab, que lhe vinha ao encontro. Jeú saudou-o, dizendo-lhe: Porventura tens tu o coração recto, como o meu o é com o teu coração? Jonadab respondeu: Tenho. Se assim é, disse Jeú, dá-me a tua mão. Jonadab deu-lhe a sua mão. Jeú mandou-o subir para o seu carro
e disse-lhe: Vem comigo e verás o meu zelo pelo Senhor. Tendo-o feito sentar no seu carro,
levou-o a Samaria, e mandou matar todos os que restavam da casa de Acab, em Samaria, sem perdoar a um só, conforme a palavra que o Senhor tinha pronunciado por meio de Elias.
Juntou, depois, Jeú todo o povo e disse-lhe: Acab tributou algum culto a Baal, mas eu lhe tributarei maior culto.
Chamai-me, pois, agora todos os profetas de Baal, todos os seus sacerdotes; nenhum deixe de vir, porque quero fazer um grande sacrifício a Baal; todo o que faltar morrerá. Isto em Jeú era artifício, para exterminar os adoradores de Baal.
Depois Jeú deu esta ordem: Fazei uma festa solene a Baal. Depois mandou
chamá-los por todos os limites de Israel, e vieram todos os servos de Baal; não ficou um só que não viesse. Entraram no templo de Baal, e encheu-se a casa de Baal desde uma extremidade até à outra.
(Jeú) disse aos que guardavam as vestimentas: Tirai vestimentas para todos os ministros de Baal. Eles levaram-lhes as vestimentas.
Tendo entrado Jeú com Jonadab, filho de Recab, no templo de Baal, disse aos adoradores de Baal: Examinai, vede bem que não esteja entre vós algum dos ministros do Senhor, mas sòmente os servos de Baal.
Entraram eles, pois, para oferecerem as suas vítimas e os seus holocaustos. Ora Jeú tinha prontos da parte de fora oitenta homens, aos quais dissera: Se escapar um só homem destes que eu vos entregar às mãos, a vossa vida me será responsável pela sua.
Quando acabaram de oferecer o holocausto, Jeú deu aos seus soldados e oficiais esta ordem: Entrai e matai-os; não escape nenhum. Os soldados e os capitães passaram-nos ao fio da espada, e lançaram-nos fora; depois foram à cidade do templo de Baal,
tiraram do templo a estátua de Baal, queimaram-na
e reduziram-na a pó. Destruíram também o templo de Baal e, em lugar dele, fizeram umas latrinas que ainda hoje existem.
Assim exterminou Jeú a Baal de Israel,
mas ele não se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fez pecar Israel, nem abandonou os bezerros de ouro, que estavam em Betel e em Dan.
Disse, pois, o Senhor a Jeú: Visto que cumpriste cuidadosamente o que era justo e agradável aos meus olhos e executaste contra a casa de Acab tudo o que eu tinha no meu coração, teus filhos se sentarão sobre o trono de Israel até à quarta geração.
Todavia, Jeú não teve o cuidado de andar de todo o seu coração na lei do Senhor Deus de Israel, porque não se apartou dos pecados de Jeroboão, que tinha feito pecar Israel.
Naquele tempo o Senhor começou a indignar-se contra Israel. Hazael derrotou-os em todas as fronteiras,
desde o Jordão, para a banda do oriente, (devastou) toda a terra de Galaad, de Gad, de Ruben e de Manassés, desde Aroer, que estava sobre a torrente de Arnon, até Galaad e Basan.
O resto das acções de Jeú, todos os seus feitos e o seu valor, não estão todas estas coisas escritas no livro das Crônicas dos reis de Israel?
Jeú adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria. Em seu lugar reinou seu filho Joacaz.
O reinado de Jeú sobre Israel, em Samaria, foi de vinte e oito anos.