Antigo Testamento
Segundo Livro Dos Reis
Eliseu disse: Ouvi a palavra do Senhor: Eis o que diz o Senhor: Amanhã, a esta hora, dar-se-á uma medida de flor de farinha por siclo, e por um siclo se darão duas medidas de cevada, à porta de Samaria.
Respondendo um dos capitães, a cujo braço o rei estava encostado, ao homem de Deus, disse: Quando o Senhor abrir janelas no céu, (para chover trigo) poderá acaso ser o que tu dizes? Eliseu respondeu: Tu o verás com os teus olhos, mas não comerás dele.
Ora estavam quatro homens leprosos à entrada da porta, os quais disseram entre si: Para que estamos nós aqui até morrermos?
Se quisermos entrar na cidade, morreremos de fome; se ficarmos aqui, morreremos também. Vamo-nos, pois, e passemo-nos para o acampamento dos Sírios. Se eles se compadecerem de nós, viveremos; se nos quiserem matar, sem dúvida morreremos.
Partiram, pois, ao anoitecer, para o acampamento dos Sírios, mas, tendo chegado à entrada do acampamento, não encontraram ali ninguém.
Com efeito, o Senhor tinha feito ouvir no campo dos Sírios um estrondo de carros, de cavalos e dum exército muito numeroso, de forma que os Sírios disseram entre si: Sem dúvida, o rei de Israel mandou assoldadar contra nós os reis dos Heteus e dos Egípcios, e ei-los aí vêm sobre nós.
Levantaram-se, pois, e fugiram de noite, deixando no acampamento as suas tendas, os seus cavalos e jumentos, e cuidando sòmente em salvar as suas vidas.
Tendo, pois, chegado aqueles leprosos à entrada do acampamento, entraram numa barraca, comeram, beberam e levaram dali prata e ouro e roupas, que foram esconder; depois tornaram a outra barraca e esconderam também o que pilharam.
Então disseram um para o outro: Não fazemos bem, porque este é um dia de boa nova. Se nos calarmos e não quisermos avisar até amanhã, seremos arguidos de crime; vamos e levemos a nova à corte do rei.
Tendo chegado à porta da cidade, contaram o sucedido: Nós fomos ao campo dos Sírios e não encontramos lá homem algum, mas sòmente cavalos, jumentos presos, e as suas tendas armadas.
Foram os guardas da porta dar aviso aos de dentro do palácio do rei,
o qual se levantou de noite e disse aos seus oficiais: Eu vos direi o que fizeram os Sírios contra nós: Sabem que a fome nos aperta, e por isso saíram do seu arraial e esconderam-se pelos campos, dizendo: Logo que saírem da cidade, nós os apanharemos vivos, e então poderemos entrar na cidade.
Mas um dos servos do rei respondeu: Tomem os cinco cavalos, que ficaram na cidade (porque só estes restaram de tão grande número que havia em Israel, porque os outros foram consumidos) e, mandando estes, poderemos descobrir o que há.
Tomaram, pois, dois carros com os seus cavalos, e o rei mandou (gente) seguir os dos Sírios, dizendo: Ide e vede.
Eles foram em busca dos Sírios, até ao Jordão, e acharam que todo o caminho estava cheio de vestes e de armas, que os Sírios tinham arrojado na sua precipitação. Os mensageiros, voltando, deram conta ao rei.
Então o povo saiu e saqueou o acampamento dos Sírios. Uma medida de flor de farinha foi vendida por um siclo, e duas medidas de cevada por um siclo, conforme a palavra do Senhor.
Ora o rei pôs à porta (da cidade) aquele oficial, no braço do qual ele se apoiava, mas a multidão atropelou-o à entrada da porta, e morreu, conforme lhe tinha predito o homem de Deus, quando o rei foi ter com ele.
(Tudo) aconteceu segundo a palavra que o homem de Deus tinha predito ao rei, quando lhe disse: Amanhã a esta mesma hora, à porta de Samaria, serão vendidas por um siclo duas medidas de cevada, e por um siclo uma medida de flor de farinha.
Quando aquele oficial tinha respondido ao homem de Deus: Quando o Senhor abrir janelas no céu (para chover trigo), poderá acaso ser o que tu dizes?- - Eliseu replicou: Tu o verás com os teus olhos, mas não comerás dele.
Como Eliseu lhe tinha predito, assim sucedeu: o povo o atropelou à porta, e ele morreu.