Capítulo 5
V. SOLUÇÃO DEFINITIVA: A CARIDADE
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Vede, Veneráveis Irmãos, por quem e por que meios esta questão tão difícil demanda ser tratada e resolvida. Tome cada um a tarefa que lhe pertence; e isto sem demora, para que não suceda que, adiando o remédio, se tome incurável o mal, já de si tão grave. Façam os governantes uso da autoridade protectora das leis e das instituições; lembrem-se os ricos e os patrões dos seus deveres; tratem os operários, cuja sorte está em jogo, dos seus interesses pelas vias legítimas; e, visto que só a religião, como dissemos no princípio, é capaz de arrancar o mal pela raiz, lembrem-se todos de que a primeira coisa a fazer é a restauração dos costumes cristãos, sem os quais os meios mais eficazes sugeridos pela prudência humana serão pouco aptos para produzir salutares resultados. Quanto à Igreja, a sua acção jamais faltará por qualquer modo, e será tanto mais fecunda, quanto mais livremente se possa desenvolver. Nós desejamos que compreendam isto sobretudo aqueles cuja missão é velar pelo bem público. Em-preguem neste ponto os Ministros do Santuário toda a energia da sua alma e generosidade do seu zelo, e guiados pela vossa autoridade e pelo vosso exemplo, Veneráveis Irmãos, não se cansem de inculcar a todas as classes da sociedade as máximas do Evangelho; façamos tudo quanto estiver ao nosso alcance para salvação dos povos, e, sobretudo, alimentem em si e acendam nos outros, nos grandes e nos pequenos a caridade, senhora e rainha de todas as virtudes. Portanto, a salvação desejada deve ser principalmente o fruto duma grande efusão de caridade, queremos dizer, daquela caridade que compendia em si todo o Evangelho, e que, sempre pronta a sacrificar-se pelo próximo, é o antídoto mais seguro contra o orgulho e o egoísmo do século. Desta virtude, descreveu S. Paulo as feições características com as seguintes palavras: «A caridade é paciente, é benigna, não cuida do seu interesse; tudo sofre; a tudo se resigna» [47] . Como sinal dos favores celestes e penhor da Nossa benevolência, a cada um de vós, Veneráveis Irmãos, ao vosso Clero e ao vosso Povo, com grande afecto no Senhor, concedemos a Bênção Apostólica. Dada em Roma, junto de S. Pedro, a 15 de Maio de 1891, no décimo quarto ano do Nosso Pontificado. [*] Alude-se aqui às Encíclicas « Diuturnum » (1831), « Immortale Dei » (1885), « Libertas » (1888). [1] Veja-se S. Tomás, Sum. Teol. , I-II, q. 95, a. 4. [2] Dt 5,21. [3] Gn 1,28. [4] S. Tomás, Sum. Teol. , 11-II, q. 10, a. 12. [5] Gn 3,17. [6] Tg 5,4. [7] 2 Tm 2,12. [8] 2 Cor 4,7. [9] Mt 19,23-24. [10] Lc 6,24-25. [11] S. Tomás, Sum. Teol ., II-II, q. 66, a. 2. [12] Ibidem , q. 65, a. 2. [13] S. Tomás, Sum. Teol ., 11-11, q. 32, a. 6. [14] Lc 11,41. [15] Act 20,35. [16] Mt 25,40. [17] S. Gregório Magno, in Evang ., Hom. IX, n. 7. [18] 2 Cor 8,9. [19] Mc 6,3. [20] Mt 5,3. [21] Ibidem , 11,18. [22] Rm 8,29. [23] Ibidem , VIII, 17. [24] Também Maquiavel, Discorsi , III, 1, afirma este princípio. [25] 1 Tm 6,10. [26] Act 4,34. [27] Apolog ., II, 39. [28] Trata-se da Encíclica « Immortale Dei ». [29] S. Tomás, Sum. Teol ., II-II, q. 61, a. 1 ad 2. [30] S. Tomás, De regimine princ. I, 15. [31] Veja-se o n. 12 desta Encíclica: Posse e uso das riquezas. [32] Veja-se o n. 17 e segs. desta Encíclica. [33] Gn 1,28. [34] Rm 10,12. [35] Ex 20,8. [36] Gn 2,2. [37] Gn 3,19. [38] Veja-se o n. 29 e segs. [39] Veja-se a Encíclica Libertas . [40] Eclo 4,9-12. [41] Pr 18,19. [42] S. Tomás, Contra impugn. Dei cultum et relig ., II, 8. [43] Ibidem . [44] S. Tomás, Sum. Teol ., I-II, q. 93, a. 3 ad 2. [45] Mt 16,26. [46] Mt 6,32-33. [47] 1 Cor 13,4-7.
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