Capítulo 3
Servitium Caritatis
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A vida consagrada é, por sua natureza, orientada para o serviço da caridade. Os conselhos evangélicos não são um fim em si mesmos, mas estão ordenados ao amor: libertam o coração para que possa amar a Deus e ao próximo de modo mais pleno e radical. A história da vida consagrada é, em grande parte, a história da caridade cristã em acção: escolas, hospitais, orfanatos, obras de assistência social, missões nos confins da terra — tudo isto nasceu do coração ardente de homens e mulheres consagrados que viram no rosto do pobre, do doente e do abandonado o rosto de Cristo. Este serviço de caridade continua a ser uma das expressões mais visíveis e mais necessárias da vida consagrada no nosso tempo.
A evangelização é a primeira e mais fundamental forma de serviço da caridade. Levar o Evangelho a todos os homens é o acto de caridade mais elevado, porque oferece àqueles que o acolhem o bem supremo: a comunhão com Deus em Cristo. Os consagrados e as consagradas têm desempenhado, ao longo da história, um papel insubstituível na evangelização dos povos. Os missionários religiosos levaram a fé cristã aos confins da terra, enfrentando dificuldades, perseguições e, não raro, o martírio. Também hoje, a missão ad gentes continua a ser uma das expressões mais significativas do carisma da vida consagrada, que se sente impelida pelo amor de Cristo a anunciar o Evangelho a todos os povos.
O serviço da educação é uma das formas mais tradicionais e fecundas do apostolado dos consagrados. Através das escolas, das universidades e de outras instituições educativas, os religiosos e as religiosas contribuíram decisivamente para a formação cultural e espiritual de gerações inteiras. A educação cristã não se limita a transmitir conhecimentos, mas visa a formação integral da pessoa: inteligência, vontade, afectividade, sentido moral e abertura ao transcendente. Neste campo, a vida consagrada tem um contributo específico a oferecer: a presença de comunidades de homens e mulheres que vivem os conselhos evangélicos é, por si mesma, uma proposta educativa que convida os jovens a descobrirem a beleza de uma vida totalmente consagrada a Deus e aos irmãos.
O cuidado dos doentes e dos que sofrem é outra expressão privilegiada do serviço de caridade da vida consagrada. Desde os primeiros séculos, os consagrados estiveram na vanguarda da assistência aos enfermos, criando hospitais e estruturas de acolhimento que estão na origem do sistema de saúde moderno. O carisma da compaixão, tão profundamente enraizado no exemplo de Cristo que «passou fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo» (Act 10, 38), continua a animar numerosas congregações religiosas dedicadas ao serviço dos doentes. Neste campo, os consagrados são chamados a testemunhar que todo o ser humano, mesmo o mais frágil e dependente, tem uma dignidade inviolável e merece ser amado e cuidado.
Ao concluir esta reflexão sobre o serviço de caridade na vida consagrada, não posso deixar de olhar para o futuro com esperança. A vida consagrada atravessa, em muitas partes do mundo, um momento de provação: diminuição das vocações, envelhecimento das comunidades, cansaço e desânimo. No entanto, os sinais de renovação não faltam. Novas formas de vida consagrada surgem na Igreja, novas comunidades florescem, novos carismas manifestam a criatividade inesgotável do Espírito Santo. Aos consagrados e às consagradas de todo o mundo, dirijo este convite: não tenhais medo de olhar para o futuro com confiança. O Deus que vos chamou é fiel e não abandonará a obra que começou em vós. Que Maria, Mãe e modelo de toda a vida consagrada, vos acompanhe e vos guie no caminho da santidade.
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