12 Termos
Termos da vida monástica, espiritualidade e liturgia explicados de forma acessível.
Superior do mosteiro, eleito pela comunidade para governá-la em nome de Cristo. A palavra vem do aramaico abbá (pai). São Bento dedica dois capítulos inteiros ao papel do abade (caps. 2 e 64), enfatizando que ele deve adaptar-se ao temperamento de cada monge e prestar contas a Deus por todos.
Reunião da comunidade monástica convocada pelo abade para tratar de assuntos importantes. O nome vem do costume de ler um capítulo da Regra no início da reunião. São Bento ordena que o abade convoque toda a comunidade sempre que algo importante precisar ser decidido, "porque muitas vezes o Senhor revela ao mais novo o que é melhor".
Monge que vive em comunidade sob uma regra e um abade, em contraste com o eremita (solitário). São Bento considera os cenobitas o gênero "mais forte" de monges e dedica toda a sua Regra a eles. A palavra vem do grego koinós (comum) e bíos (vida).
Espaço reservado do mosteiro onde vivem os monges ou monjas, ao qual o acesso é restrito. A clausura protege o silêncio e o recolhimento necessários à vida contemplativa. São Bento prevê que o mosteiro tenha tudo o necessário dentro de seus muros, para que os monges "não tenham necessidade de andar fora".
"Conversão dos costumes" — um dos três votos beneditinos. Expressa o compromisso de conversão contínua: o monge promete viver segundo o modo de vida monástico, buscando permanentemente a transformação interior. Não é uma conversão pontual, mas um caminho de toda a vida.
Monge que vive em solidão, retirado no deserto ou num lugar isolado, dedicando-se à oração e à penitência. São Bento os chama de "anacoretas" e reconhece que eles travam combate espiritual sozinhos, "sem o auxílio de outrem, com a própria mão e braço". A vida eremítica pressupõe longa formação cenobítica.
Um dos três votos da profissão beneditina. O monge compromete-se a permanecer na mesma comunidade até a morte, resistindo à tentação de buscar sempre um lugar melhor. A estabilidade é o oposto do espírito giróvago — é a confiança de que Deus age no lugar concreto onde se está.
Monge que vagueia de mosteiro em mosteiro, sem estabilidade, hospedando-se por três ou quatro dias em cada lugar. São Bento os considera piores que os sarabaítas, "sempre errantes e nunca estáveis, servindo às próprias vontades e aos atrativos da gula".
Leigo ou leiga que, sem fazer votos monásticos nem viver no mosteiro, associa-se espiritualmente a uma comunidade beneditina. O oblato compromete-se a viver o espírito da Regra de São Bento no mundo — na família, no trabalho, na paróquia — buscando o equilíbrio entre oração e trabalho.
Segundo em autoridade no mosteiro, depois do abade. O prior auxilia o abade no governo da comunidade. São Bento dedica um capítulo inteiro (Cap. 65) aos problemas que podem surgir do cargo e recomenda prudência na sua instituição.
Ato solene pelo qual o monge se compromete definitivamente com a comunidade, emitindo os votos de estabilidade, conversão dos costumes (conversatio) e obediência. Na tradição beneditina, a profissão acontece após um período de noviciado e é celebrada durante a liturgia.
Monge que vive sem regra nem abade, seguindo a própria vontade. São Bento os descreve como os que "não foram provados por nenhuma regra" e "tomam por lei o que lhes apraz". Representam o oposto do ideal beneditino de obediência e vida comunitária.