De Profundis (Sl 129)
Das profundezas eu clamo a Vós, Senhor; Senhor, ouvi a minha voz! Estejam os Vossos ouvidos atentos à voz da minha súplica. Se levardes em conta as nossas culpas, Senhor, quem poderá subsistir? Mas em Vós encontramos o perdão, para que Vos possamos adorar com respeito. Eu confio no Senhor, a minha alma confia na Sua palavra. A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que a sentinela pela aurora. Mais do que a sentinela pela aurora, espere Israel pelo Senhor. Pois com o Senhor está a misericórdia e com Ele a abundância da redenção. É Ele quem redimirá Israel de todas as suas culpas. Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso, e brilhe para eles a luz perpétua. Descansem em paz. Amém.
Contexto
O Sl 129 (130) é um dos sete Salmos Penitenciais e um dos mais belos gritos de esperança da Bíblia. Na tradição da Igreja, é rezado especialmente pelos fiéis defuntos.
Referências Bíblicas
O que significa "De Profundis" e o que é o Salmo 129
De Profundis são as primeiras palavras latinas deste salmo e significam literalmente "Das profundezas". É assim que se abre o clamor: "Das profundezas eu clamo a Vós, Senhor" — a voz de quem, do fundo da própria miséria e do pecado, ergue os olhos para Deus e espera n'Ele a misericórdia.
Ele é um dos sete Salmos Penitenciais da tradição da Igreja e um dos cânticos de esperança mais densos de toda a Bíblia. Em poucos versos passa do reconhecimento da culpa ("Se levardes em conta as nossas culpas, Senhor, quem poderá subsistir?") à certeza confiante do perdão ("com o Senhor está a misericórdia e com Ele a abundância da redenção").
Você pode situá-lo no conjunto d'Os Salmos e entre as orações católicas que a Igreja confia aos fiéis.
Salmo 129 ou Salmo 130? A dupla numeração explicada
É comum encontrar esta mesma oração ora como Salmo 129, ora como Salmo 130 — e ambas estão corretas. A diferença vem de duas formas de contar os salmos. A numeração da Vulgata latina (seguida pela tradição litúrgica antiga) chama-o de Salmo 129; a numeração hebraica/moderna, usada na maioria das Bíblias atuais, chama-o de Salmo 130.
Por isso o título aparece muitas vezes como Salmo 129 (130): trata-se do mesmo De Profundis. Não o confunda com o Salmo 130 da Vulgata ("Senhor, o meu coração não se ensoberbece"), que é outro texto. Para ler o salmo na Bíblia, acesse Salmo 129/130.
Como e quando rezar o De Profundis
Por seu caráter penitente e esperançoso, o De Profundis é tradicionalmente rezado pelos fiéis defuntos. Nessa intenção, costuma-se acrescentar ao salmo a antífona do descanso eterno: "Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso, e brilhe para eles a luz perpétua. Descansem em paz" (em latim, *Requiem aeternam dona eis, Domine...*), que já consta no texto desta página.
Você pode rezá-lo sozinho ou com a família, lentamente, deixando cada verso tornar-se súplica e confiança. Ele se reza especialmente em velórios, no mês de novembro, nos aniversários de falecimento e sempre que se quer interceder pelas almas.
Para essa intenção, veja também a Oração pelos Fiéis Defuntos. E, como salmo penitencial que é, ele combina bem com um exame de consciência sincero e com o Ato de Contrição.
Perguntas frequentes
O que significa "De Profundis"?
São as palavras latinas que abrem este salmo e significam "Das profundezas", isto é, o clamor de quem reza a Deus desde o fundo de sua aflição e do pecado. Por isso a oração também é conhecida pelo próprio nome De Profundis.
O De Profundis é o Salmo 129 ou o Salmo 130?
É o mesmo salmo nas duas contagens: Salmo 129 na numeração da Vulgata latina e Salmo 130 na numeração hebraica/moderna. Você pode lê-lo em Salmo 129/130.
Por que o De Profundis é rezado pelos fiéis defuntos?
Por ser um salmo penitencial que implora a misericórdia e a redenção de Deus, a Igreja o reza pelas almas, geralmente com o acréscimo "Dai-lhes, Senhor, o eterno repouso". Veja também a Oração pelos Fiéis Defuntos.
O De Profundis é um dos Salmos Penitenciais?
Sim. O Salmo 129 (130) é um dos sete Salmos Penitenciais da tradição católica, rezados em espírito de arrependimento e confiança no perdão divino.